segunda-feira, 16 de maio de 2011

Day 03 — Your parents (Seus pais)


“E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi”




Pai.


Essa é a primeira vez em toda a minha vida que eu escrevo uma carta pra você, ou que te chamo assim, que dirijo a palavra a você mesmo sabendo que você nunca vai ler essa carta.
Durante toda a minha vida eu fui privada de te ter por perto e nunca soube o motivo, eu não sei o seu nome, nem como você é, não sei se meu cabelo é igual ao seu mas imagino que seja por que ninguém na minha família tem o cabelo igual ao meu, não sei se nossos olhos, nariz, boca, gostos são iguais, não sei nada de você e acho que nunca vou saber.
Quando eu era criança sentia falta das historinhas de dormir e do colo, quando entrei na adolescência senti falta dos castigos, proibições, senti falta das brigas e do ciúme de pai e agora que já sou adulta sinto falta dos conselhos, dos almoços de família e de qualquer coisa que hoje eu poderia fazer com você. Seus presentes feitos pro mim na escola foram pro lixo por que você nunca veio buscar e as historinhas eu fiz na cabeça pra não ficar sem dormir.
Nunca ninguém ocupou seu lugar, nem você e mesmo que eu sinta que metade da historia d aminha vida esta faltando, eu não guardo raiva de você e talvez você nem saiba mesmo que eu existo, mas existo: me chamo Juliana, tenho 22 anos recém feitos, faço teatro, odeio lasanha e nunca consegui dar estrelinha!
Sei que isso não é suficiente pra conhecer ninguém, mas é melhor do que o nada que eu tive a vida toda e talvez eu nunca tenha de você, mas se tiver vai ser bom conhecer você!



Sua filha.

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